Europa gera mais eletricidade de fontes renováveis do que fósseis pela primeira vez

Europa gera mais eletricidade de fontes renováveis do que fósseis pela primeira vez

Image

Em 2025, energia eólica e solar responderam por 30% da eletricidade da União Europeia, impulsionando a transição energética e servindo de exemplo para o mercado brasileiro.

A Europa atingiu um marco histórico na transição energética. Pela primeira vez, a geração elétrica proveniente de fontes eólica e solar superou a produzida por combustíveis fósseis em 2025.

Segundo o relatório European Electricity Review 2026, da organização britânica Ember, as duas fontes responderam por 30,1% da eletricidade da União Europeia (UE), enquanto todas as fontes fósseis somadas ficaram em 29%.

O resultado representa uma virada simbólica e estrutural no setor energético europeu, um continente que, até pouco mais de uma década atrás, dependia fortemente do carvão e do gás importado para abastecer suas economias.

Energia limpa em alta: recorde solar e declínio do carvão

O avanço foi puxado principalmente pelo crescimento recorde da energia solar, que aumentou sua geração em 20% em apenas um ano, alcançando 369 TWh — o maior volume já registrado na história da UE. Desde 2020, a geração solar mais do que dobrou, impulsionada pela instalação de 65 GW de novas capacidades em 2025, metade em telhados residenciais e comerciais.

Já a energia eólica manteve sua posição como segunda maior fonte elétrica do bloco, representando 17% da matriz, mesmo com a redução de ventos em algumas regiões no início do ano. No total, as renováveis responderam por 48% da eletricidade europeia, permanecendo estáveis mesmo diante de condições climáticas atípicas.

Enquanto isso, o carvão atingiu seu menor nível histórico, representando apenas 9,2% da geração, e o gás natural, apesar de um leve aumento em 2025 (+8%), segue 18% abaixo do volume pré-crise energética de 2019.

“Este é um momento marcante para a Europa. O desafio agora é reduzir a dependência do gás e investir em soluções que aproveitem todo o potencial da energia limpa”, destacou Beatrice Petrovich, analista sênior de energia da Ember.

Baterias e redes inteligentes: o próximo passo da transição

Com a expansão das fontes intermitentes, o relatório ressalta que a flexibilidade do sistema elétrico será o grande desafio da próxima fase da transição.

O uso de baterias de grande escala cresceu rapidamente em 2025: a capacidade instalada ultrapassou 10 GW, mais que o dobro de dois anos antes. A previsão é que, se todos os projetos em desenvolvimento forem concluídos, a Europa ultrapasse 40 GW de armazenamento até 2028.

Essas baterias já começam a atuar nos momentos de maior uso de gás, principalmente nos picos de consumo noturno, e podem reduzir significativamente os custos de energia. Na Itália, por exemplo, o armazenamento de energia solar deslocada para o período da noite custou, em média, €64/MWh, enquanto a geração a gás atingiu €111/MWh.

Além disso, a integração de redes elétricas entre países e o investimento em interconexões e digitalização são apontados como fundamentais para estabilizar o sistema e evitar o desperdício de energia limpa, um problema crescente com o aumento das instalações solares.

Segurança energética e independência do gás

A dependência europeia do gás importado agravada pelas crises geopolíticas dos últimos anos foi outro ponto central do relatório. Em 2025, a UE aumentou sua conta de importação de gás em 16%, alcançando €32 bilhões, devido à queda na geração hídrica e ao uso de gás em horários de pico.

Mesmo assim, o bloco aprovou, em dezembro de 2025, uma legislação para banir completamente o gás russo até 2027. O desafio, segundo a Ember, será evitar a substituição dessa dependência por novas fontes externas, como o gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos.

Para isso, o investimento em energia solar, eólica e armazenamento local é visto como a principal estratégia para fortalecer a segurança energética e proteger os consumidores das variações do mercado global de combustíveis fósseis.

Compartilhe esta noticia: