A combinação entre energia solar e abastecimento de água está transformando a realidade de milhares de famílias no estado de Chhattisgarh, na Índia. Em regiões rurais e montanhosas, onde a expansão da rede elétrica é complexa e economicamente inviável, sistemas de bombeamento movidos a energia solar têm garantido o acesso à água potável diretamente nas residências.A iniciativa faz parte da missão indiana Jal Jeevan Mission e conta com o apoio da UNICEF para ampliar a segurança hídrica em comunidades historicamente afetadas pela falta de infraestrutura.Os sistemas funcionam de forma independente da rede elétrica convencional. Cada unidade é composta por uma bomba solar de 1,2 quilowatt, reservatório com capacidade para 10 mil litros e rede de distribuição para as residências. A operação ocorre exclusivamente com energia gerada pelos painéis solares, eliminando gastos com combustível e reduzindo custos operacionais.Até abril de 2026, cerca de 7.500 sistemas estavam em funcionamento nos 31 distritos de Chhattisgarh, representando aproximadamente 25% dos sistemas individuais de abastecimento de água do estado.Além de ampliar o acesso à água, o projeto também gera benefícios ambientais. Apenas no distrito de Dhamtari, considerado referência na iniciativa, 226 sistemas atendem mais de 6.500 residências, produzem cerca de 594 mil unidades de energia limpa por ano e evitam a emissão de mais de 420 toneladas de dióxido de carbono (CO2) anualmente.Impacto socialO projeto também tem contribuído para reduzir a carga de trabalho das mulheres, tradicionalmente responsáveis pela coleta de água nas comunidades rurais. Em muitos casos, trajetos que consumiam horas diárias foram substituídos por pontos de abastecimento instalados nas próprias casas.Outro diferencial é a participação comunitária na gestão dos sistemas. Mulheres treinadas, conhecidas como "Jal Bahinis", atuam no monitoramento da distribuição de água, coleta de tarifas, controle da qualidade e comunicação de necessidades de manutenção.Segundo a UNICEF, a experiência demonstra como a integração entre energia renovável, infraestrutura hídrica e participação social pode ampliar a qualidade de vida da população, reduzir emissões e fortalecer a resiliência das comunidades diante dos desafios climáticos.O modelo é considerado um exemplo de como soluções energéticas descentralizadas podem contribuir para universalizar serviços essenciais em regiões onde a infraestrutura convencional enfrenta limitações geográficas e econômicas.__________________________________________
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