Embora a energia solar seja vista como uma solução promissora para ampliar o acesso à eletricidade em países em desenvolvimento, um estudo conduzido pela Universidade de Michigan mostra que o simples acesso à tecnologia não é suficiente para garantir um fornecimento significativo de energia.A pesquisa, publicada na revista Energy Research & Social Science, analisou mais de mil famílias no Malawi, um dos países com menores índices de acesso à eletricidade do mundo, e identificou que a maioria utiliza sistemas solares domésticos de apenas 6 watts de potência capacidade muito inferior à necessária para atender demandas básicas de iluminação e uso de eletrodomésticos.De acordo com a pesquisadora Pamela Jagger, professora da Escola de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Universidade de Michigan, o problema está na escala dos sistemas instalados.“A revolução solar está acontecendo rapidamente na África, mas a maioria dos sistemas oferece um serviço muito limitado. Se quisermos garantir acesso significativo à energia, precisamos de sistemas de maior capacidade”, afirmou Jagger.Potência e impacto socialO estudo observou que sistemas com 50 watts ou mais trazem benefícios mais expressivos, permitindo que famílias utilizem aparelhos domésticos, estudem à noite e até desenvolvam pequenas atividades econômicas. No entanto, esses sistemas ainda são pouco comuns e acessíveis apenas às famílias com maior poder aquisitivo.Mesmo os dispositivos menores geraram impactos sociais relevantes, como melhora na segurança por meio da iluminação externa e redução de custos com o carregamento de celulares. O acesso à energia também facilitou o uso de aplicativos de transações financeiras, promovendo inclusão digital e econômica em comunidades sem acesso a bancos.Barreiras e oportunidadesEntre os principais obstáculos à adoção de sistemas mais potentes estão os custos iniciais elevados, a falta de financiamento acessível e a baixa capacidade técnica local. Ainda assim, os pesquisadores destacam que há oportunidades de avanço por meio da cooperação entre governos, empresas e organizações internacionais, além de modelos de financiamento social que possam ampliar o alcance da tecnologia.A pesquisa, apoiada pela Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos (NSF), contou com a colaboração de especialistas da Universidade de Duke, Universidade de Harvard, Universidade da Carolina do Norte e da Universidade de Agricultura e Recursos Naturais de Lilongwe, no Malawi.Para os autores, compreender as limitações e os impactos reais da energia solar em países de baixa renda é essencial para desenvolver estratégias globais mais eficientes de combate à pobreza energética e promover acesso sustentável à eletricidade em escala mundial.____________________________________
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